segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Série "Retrospectiva 2011": Abril*

1) Sarau da Mentira
O Observatório do Espaço Cultural, Ufal, foi palco para diversas performances, durante o Sarau da Mentira, organizado pelos alunos de Teatro e Dança da UFAL. O evento aconteceu no dia 1º de abril e contou a apresentações de alunos e professores dos dois cursos. 

 
2) "Devassas – O que as Mulheres Gostariam que Fizessem com Elas na Cama"
O espetáculo da atriz Ivana Iza esteve em sua segunda temporada, durante as sextas e sábados de abril e maio, no Teatro do Centro Cultural SESI.


3) Espetáculo "Nitolino no Reino de Todas as Coisas"
A peça infantil do ator Luiz Alberto Machado ficou em cartaz durante o mês de abril no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, vizinho ao Cepa. Sua intenção foi a de promover o hábito de leitura através do teatro, música e literatura. Todos os sábados e domingos, às 14h. Aberto ao público.


4) Cia. dos Pés
Buscando na expressão corporal e nos movimentos possíveis as respostas para essas e outras questões, a Cia. dos Pés apresentou a performance "Encontros", no dia 06 de abril, no Calçadão da rua do Comércio, em frente à loja Insinuante, às 16h. Aberto ao público.

5) Espetáculo Mirandolina
O grupo Cena Livre levou a peça para os palcos do Teatro Marista, nos dias 9 e 10 de abril, às 21h e 20h, respectivamente. Sob a direção de Antônio Guedes (RJ), a comédia anti-romântica tem no elenco os atores Chico de Assis, Bruno de Aragão, Ana Sofia de Oliveira, Mauro Braga e Anderson Arruda.



7) Sesc Cultura em Movimento
No dia 13 de abril, às 15h, a Cia. do Chapéu apresentou-se para o grupo de idosos do SESC, com o espetáculo "Graças", compondo projeto SESC Cultura em Movimento.



8) Desnuda
Contemplado pelo Prêmio de Incentivo à Produção e Circulação de Projetos em Artes Cênicas em Alagoas, Desnuda nasce do encontro entre inquietações das interpretes criadoras sobre a relação da mulher com sua imagem na forma de 03 solos de Dança Contemporânea. A Associação Artística Saudáveis Subversisvos apresentou o espetáculo em abril e maio -  29/04: AABB – Penedo, às 20hs. 30/04: Teatro Municipal de Mar Vermelho, às 19hs. 01/05: Clube Social, Viçosa, às 18hs. 02/05: Teatro Linda Mascarenhas (ao lado do CEPA) - Maceió, às 19hs.


* Parte dessas informações foram retiradas do Boletim Entremeios Culturais - serviço de comunicação e divulgação realizado pela Larissa Lisboa e Alice Jardim. A outra parte foi coletada por meio da iniciativa própria dos grupos e produtores culturais. No caso de correção ou acréscimo de informação, favor deixar comentário para posterior atualização da postagem. Em algumas postagens os nomes dos espetáculos ou artistas servirão de link para sites com mais detalhes sobre os acontecimentos, profissionais e instituições envolvidas.

domingo, 7 de agosto de 2011

Série "Retrospectiva 2011": Março*

1) Espetáculo de dança "Encontros".
A Cia. dos Pés se apresentou no calçadão do comercio, no dia 30 de março às 16 horas. Esse espetáculo foi contemplado com o Prêmio de Incentivo as Artes Cênicas concedido pela Secretaria de Estado da Cultura com patrocínio da Caixa Econômica Federal.


2) Palco Giratório 2011
O SESC realizou a 1ª etapa do projeto que já tem 14 anos, contando com a visita da Persona Companhia de Teatro & Teatro em Trâmite (SC) e da participação da Associação Artística Saudáveis Subversivos, no período de 28 a 31 de março, com apresentação do espetáculo "A Galinha Degolada" em Maceió e Arapiraca e, com a intervenção urbana "Enquadrado Subversivo" no Calçadão do Comércio de Maceió.


* Parte dessas informações foram retiradas do Boletim Entremeios Culturais - serviço de comunicação e divulgação realizado pela Larissa Lisboa e Alice Jardim. A outra parte foi coletada por meio da iniciativa própria dos grupos e produtores culturais. No caso de correção ou acréscimo de informação, favor deixar comentário para posterior atualização da postagem. Em algumas postagens os nomes dos espetáculos ou artistas servirão de link para sites com mais detalhes sobre os acontecimentos, profissionais e instituições envolvidas.

domingo, 12 de junho de 2011

SINDYCLAYDE E ROSA MARIA: AS MAIS POPULARES DO QUARTEIRÃO

Essa ilustríssima contribuição que segue abaixo é de uma grande amiga, antiga companheira de cena e de criações dramatúrgicas inesquecíveis, Márcia Shoo (quando o "Shoo" começava com D). Ela postou essa resenha no Facebook (26/05/2011) e ao ler não me contive. Solicitei a liberdade de postar aqui no Contando a Cena. E ela permitiu!!! Então deleitem-se! T.S.


Por Márcia Shoo*
 
Fui “voyerizar” o que as mulheres gostariam que fizessem com elas na cama. A segunda temporada de Devassas, peça que marca os 15 anos de carreira da atriz alagoana Ivana Iza, virou um fetiche tão curioso em Maceió que pecado seria não provar da maçã que seduziu até as mais puritanas castas alagoanas não assíduas do teatro local.
 
A primeira visão excita logo na chegada ao teatro com a fila de espectadores. Grande. Enorme. Homens e mulheres balançam seus ingressos na mão, na expectativa de penetrar a sala escura do teatro antes de as portas, pontualmente, serem fechadas. Situações como essa são inéditas quando estamos falando da maior parte do público consumidor de programação cultural na cidade que não tem o hábito de sair de casa para assistir a espetáculos produzidos e encenados por artistas da casa; geralmente por desconhecer o movimento local de grupos, artistas e produções, ou mesmo por um preconceito incrustado em relação ao que é feito na própria terra. Mas uma coisa está ligada a outra. O desconhecimento gera o preconceito e vice-versa. E esta cultura por sua vez é alimentada pela falta de políticas de incentivo à produção e à valorização das artes locais.
 
Mas o sucesso de Devassas, tão contagiante quanto o seu marketing viral nas redes sociais da internet, fez do espetáculo um dos maiores formadores de plateia de teatro em Maceió, da casa para a casa, como não se via, acho, desde A Farinhada (1997), peça escrita pelo sociólogo alagoano Luiz Sávio de Almeida, encenada pela Associação Teatral Joana Gajuru e dirigida por René Guerra. O espetáculo, que também foi sucesso absoluto entre o público local e premiado em diversos festivais nacionais, contou com o envolvimento de alguns dos mesmos realizadores de Devassas, como o diretor Flávio Rabelo, o gerente de produção Eris Maximiano e a própria Ivana Iza, que atuou nos últimos anos de vida da peça. 
 
De um lado, em A Farinhada, a história de Rosa Maria: a jovem que sobrevive a duras penas trabalhando em regime de exploração numa casa de farinha, situada na zona rural alagoana. Rosa vê seu romance com o jovem companheiro de sina, Pedro Bom, ser tragicamente encerrado após ter sido violentada sexualmente pelo patrão, que, não satisfeito, mata o mocinho num duelo de vingança. 
 
Do outro lado, em Devassas, a história de SindyClayde: a vendedora de potes de plástico com tampas mistas que garante às mulheres uma  vida mais “saudável, organizada, arrumada e acondicionada” através dos ensinamentos de sua finada mentora na arte de não deixar que as coisas e a vida se estraguem. Displicente e bastante comunicativa, Si, como sugere ser chamada, revela sem papas na língua para a plateia de “clientes-amigas” e seus respectivos parceiros a divertida e despudorada trajetória de suas experiências sexuais, distribuídas entre as quatro personagens interpretadas por Ivana, que está sozinha em cena durante todo o espetáculo; exceto nos momentos em que a presença de outros se dá pelas ótimas interações audiovisuais e com o público.
 
Rosa Maria termina a vida na velhice, vagando pela própria loucura, alimentando a lembrança do amor interrompido pela opressão masculina. Já SindyClayde propõe, logo no início do espetáculo, um juramento coletivo entre as clientes-amigas para que não se abstenham do direito de atingir vários orgasmos numa mesma noite.
 
Abordada em contextos completamente diferentes, a sexualidade feminina é um ponto em comum nos conflitos das duas peças. Se no primeiro sucesso o público foi chamado a se deparar com o lado obscuro do tema, ambientado num universo de tradições patriarcais não tão distantes do que herdamos daquela realidade, no sucesso mais recente o público é seduzido para virar cúmplice dos mais lascivos desejos e posturas sexuais de mulheres em busca do prazer geral da nação. Da nação heterossexual. Com a quantidade de tabus satirizados em uma hora e meia envolvente de peça, a devassa lésbica ficou de fora. Mas sem qualquer sentido discriminatório. O recorte da dramaturgia, escrita por Ivana, quer apenas estabelecer um olhar mais atento e libidinoso entre os sexos opostos que se atraem mas se retraem no meio de tanta repressão que permeia o assunto e a prática do sexo.
 
Em cena, Ivana está com tudo. Vive o auge das admirações que provoca nos palcos desde atuações como em Fulaninha e Dona Coisa (2001, direção de René Guerra), Versos de um Lambe Sola (2007, direção de Eris Maximiano), entre outros ótimos trabalhos dos quais participou. Além do texto, Ivana também assina em Devassas a concepção de figurinos e cenário sem deixar a desejar na estética e na praticidade das composições. Segue bem acompanhada com a participação de artistas como o músico e produtor musical Pedro Ivo Euzébio (Tup) na criação da trilha sonora, e o diretor, ator, performer e pesquisador Flávio Rabelo, responsável pela cuidadosa e criativa regência do monólogo.  
 
Com apenas sete meses de vida, e prestes a encerrar neste próximo fim de semana a sua segunda e arrebatadora temporada, Devassas planeja agora participar da agenda nacional de festivais e apresentar-se em algumas capitais do país. Indícios de que a popularidade aumentará. Que me perdoe Rosa Maria, mas Sindyclayde já é mesmo um fenômeno arrasa-quarteirão.


* Márcia Shoo, 31 anos, é radicada em Maceió desde a infância e morou os últimos 6 anos no Rio de Janeiro, onde estudou dramaturgia cinematográfica e realizou alguns projetos de documentário. Fez teatro durante alguns anos, integrando e atuando em grupos alagoanos como a extinta Companhia das Mãos e o coletivo multi-linguagens Saudáveis Subversivos, do qual é parceira em projetos de audiovisual [sem esquecer do Grupo de Teatro Horae, do Colégio Marista, no qual nasceu o esquete "O Ônibus" apresentado centenas de vezes nas mais variadas circunstâncias e formatos]. É jornalista formada pela UFAL, roteirista, escreve peças, contos e poesias esporadicamente e descreve-se na terceira pessoa do singular.

Série "Retrospectiva 2011": Fevereiro*

E a programação das Artes Cênicas em Alagoas no mês de fevereiro foi essa:

1) Espetáculo "Flor de Macambira".
Uma produção da Cia Ser Tão Teatro/PB, pelo Projeto de Circulação da Eletrobrás. Com apoio da Diretoria do Theatro Sete de Setembro.
A apresentação se deu no dia 11/02, na Pça 12 de Abril em Penedo/AL.
O grupo também ofertou gratuitamente uma Oficina de Teatro, dias 10 e 11/02, no Teatro Sete de Setembro.


2) Espetáculo de dança "UruBumbaGuelé".
Dia 13/02, Sítio Volta - Poços do Lunga - Taquarana.
Produção local: Keka Rabelo

4) Performance "La Diabla – Ensaio Fetichista de um Homem", com Alderir Souza. Dia 12/02, no Bar La Rosa, Na praça Rayol, em Jaraguá.

5) Grupo de Estudos Teatrais Orientados (Gesto), do SESC Alagoas.
Aberta inscrição para residência cênica com grupos locais, de 14/02 a 31/03.



* Parte dessas informações foram retiradas do Boletim Entremeios Culturais - serviço de comunicação e divulgação realizado pela Larissa Lisboa e Alice Jardim. A outra parte foi coletada por meio da iniciativa própria dos grupos e produtores culturais. No caso de correção ou acréscimo de informação, favor deixar comentário para posterior atualização da postagem. Em algumas postagens os nomes dos espetáculos ou artistas servirão de link para sites com mais detalhes sobre os acontecimentos, profissionais e instituições envolvidas.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Série "Retrospectiva 2011": Janeiro*

O ano já chegou na metade então decidimos iniciar nossa série retrospectiva 2011 já de agora. Mas sem pressa, vamos recordar aos poucos, mês a mês, começando pelo começo... Janeiro!

E no primeiro mês do ano, contamos com as seguintes apresentações locais:

1) Espetáculo "Romeu Eva e Adão", com Christiano Marinho e Paulo Sarmento.
Dias 14 e 15/01, no Teatro Sesi Arapiraca. E 22 e 23/01, no Centro Cultural SESI da Pajuçara, em Maceió.

2) Espetáculo "Missão... de Graça – Um Dilúvio de Gargalhadas", com a Cia. Guerreiros do Teatro, sob a direção de Glauber Teixeira.
Dias 14 e 28/01, no Centro Cultural SESI da Pajuçara, em Maceió.



3) Espetáculo "Tablado - onde a vida vira cena", da Escola Técnica de Artes (UFAL), com a turma do módulo II e participação especial da atriz Paula Quintino. Sob a direção do Prof. David Farias.
O grupo realizou ensaio geral no dia 26/01, seguindo em temporada nos dias 27, 28 e 29/01. Na Sala Preta do Espaço Cultural da UFAL, Praça Sinimbu.

4) O espetáculo "Os Três Caipiras e a Salada Nordestina", do Grupo Teatral Os Três Caipiras, foi levado pela Companhia de Teatro Cena & Ato, até a cidade de Penedo, no dias 21 e 22/01. As apresentações aconteceram no Teatro Sete de Setembro. 



Além desses espetáculos, também houve a continuidade do Curso de Iniciação Teatral, da Escola Técnica de Artes, que abriu inscrições para uma nova turma, no período de 18 a 21/01.

E sob a produção da Sue Chamusca Arte & Assessoria, o Teatro Gustavo Leite  do Centro de Convenções, recebeu a peça "Sexo, a Comédia", da Cia de Comédia Os Melhores do Mundo/RJ. Foram duas apresentações: dias 29 e 30/01. 

* Parte dessas informações foram retiradas do Boletim Entremeios Culturais - serviço de comunicação e divulgação realizado pela Larissa Lisboa e Alice Jardim. A outra parte foi coletada por meio da iniciativa própria dos grupos e produtores culturais. No caso de correção ou acréscimo de informação, favor deixar comentário para posterior atualização da postagem. Em algumas postagens os nomes dos espetáculos ou artistas servirão de link para sites com mais detalhes sobre os acontecimentos, profissionais e instituições envolvidas.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Série "Entrevista": Silvio Sarmento - I

Em sua saga por uma investigação sobre a história do teatro alagoano, o Contando a Cena traz uma entrevista com um dos atores mais talentosos do Estado, com uma vastíssima história de cena, com idas e vindas pelos palcos caetés, Silvinho, como é mais conhecido pelos amigos, nos conta um pouco da sua trajetória teatral e consequentemente da trajetória do teatro alagoano. Agradecemos carinhosamente sua generosidade e atenção.



CONTANDO A CENA - Quando e como você começou a fazer teatro aqui em Alagoas?
SILVIO SARMENTO - Comecei quando tomei conhecimento da existência de um curso de formação de atores, no caso, o da UFAL, em 1992. Eu tinha 19 anos na época, e já estava quase enlouquecendo para entrar no teatro, acho que desde os 13 anos... Vivia representando dentro de casa, feito um maluco. 

CONTANDO A CENA - Que grupos, artistas e espetáculos se destacavam naquele período? E por que?
SILVIO SARMENTO - Olha, no começo, eu não tinha muita noção de nada... Só depois, quando entrei no curso é que tomei conhecimento das pessoas que atuavam e dos grupos teatrais. Eram poucos... Sabia da ATA, do Infinito Enquanto Truque, do Cena Livre. O movimento teatral era muito esporádico. Isso bem no inicio dos anos noventa, quando comecei. Não tinha nem teatro, o Deodoro estava fechado. Os grupos eram antigos, já com uma história de luta e resistência, responsáveis pela permanência e manutenção da arte teatral em Alagoas. Por isso merecem nosso respeito e admiração. 

CONTANDO A CENA - Como você percebe o caminhar da cena alagoana do início da sua carreira até hoje? 
SILVIO SARMENTO - Percebo um crescimento enorme, graças à Deus! Hoje, existem vários grupos se  formando e permanecendo, muitas pessoas interessadas em fazer teatro, em viver de teatro. O que falta é mais incentivo em todos os sentidos. Cadê as leis: municipal e estadual? 

CONTANDO A CENA - Quais seus planos para 2011? 
SILVIO SARMENTO - Vou começar a ensaiar um texto do Homero Cavalcante, estréia prevista para junho ou julho; tem Rojo, um projeto que eu amo e quero continuar, e tem o trabalho lá do CESMAC (não sei ainda o que vai ser, e minha participação depende em parte disso). Pretendo terminar de filmar a segunda metade do curta que comecei com o Pedro da Rocha. Ah, quero dar início ao meu TCC também! rsrs.

CONTANDO A CENA - Que situação, cena ou história vivenciada no início da sua trajetória teatral você não esquece? 
SILVIO SARMENTO - Sem dúvida, o meu primeiro espetáculo, O Despertar da Primavera. Acredito que tenha marcado não só a mim, como a todos que fizeram parte. Um bando de jovens, a maioria sem experiência alguma, com um baita patrocínio (uma raridade, diga-se), um diretor que adorava instigar (Glauber Teixeira), e a vontade de fazer (descobrir o teatro). Foi muito bacana. Conseguimos, pois não existia teatro disponível na época, um galpão, onde antes era um supermercado em Jaraguá e reformamos todo. Waneska Pimentel e Mônica Carvalho como produtoras... Waneska, a produtora executiva, quase enlouquece de trabalhar. Tem um episódio antológico que não posso deixar de lembrar: todos do elenco colando mais de 3000 caixas de ovos nas paredes do galpão (para melhorar a acústica). Todos passando mal com o cheiro da cola... kkkkkkkkkkk Muito bom! Tem uma matéria que saiu na época escrita por um Luiz Nogueira (até hoje eu não sei se é o Lula Nogueira artista plástico, mas acho que é) e que transcrevo aqui:

Série "Entrevista": Silvio Sarmento - II

Página B-4, domingo 01/08/93 - Gazeta de Alagoas.


Luiz Nogueira(*)


Assisti, pesaroso, ao espetáculo teatral O Despertar da Primavera. Não por conta do grupo que o apresentou, composto de jovens apaixonados pela arte teatral, mas pelas condições nas quais o fato vem acontecendo: o espaço de um supermercado falido, de nome “Balaio”, na rua Comendador Leão. Perplexo, vi um cenário (pensado pelo Ênio Lins) bem elaborado, bem iluminado, e um grupo de jovens esbanjando amor pela arte teatral. Mas vi, (ouvi, é o termo) uma condição acústica do ambiente que compromete (por vezes) a fala dos jovens atores. Sem contar as acomodações, pouco elogiáveis. O espaço dispõe de um bom estacionamento.

Mas fiquei extremamente satisfeito. E até pediria para que as pessoas prestigiassem, nas próximas apresentações, aquele grupo de jovens que lutam, titanicamente, para que a cidade ainda se lembre de que o teatro existe e é uma atividade salutar.

Mas fiquei sem entender o seguinte: porque o grupo não está realizando  as apresentações no Teatro de Arena Ségio Cardoso, recém inaugurado. No Teatro Deodoro, nem pensar: ele está abandonado desde que o meu amigo Bráulio leite se aposentou...

Tenho visto outras atividades teatrais em “espaços alternativos” ora no auditório e ora num velho circo (aos pedaços) do estacionamento, ambos na antiga Reitoria, na praça Sinimbu. O problema tem sido o mesmo: os jovens não contam com patrocínios nem acomodações que permitam a um “crítico teatral” avaliar-lhes os talentos, o que é péssimo e capaz de fazer morrer muitas vocações artísticas. Se por acaso algum patrocínio acontece é sempre abaixo das suas necessidades com vistas a um bom espetáculo, o que é terrível, desmotivador e até mesmo cruel...

De resto este é o quadro nacional no tocante ao que se chama cultura. Mesmo a educação, que é obrigatória (a cultura também o é na Constituição) conhece os seus dias mais negros, basta que se examinem as greves, os baixos salários, a não reciclagem dos professores e outras tantas heresias...

Somente a juventude desse grupo de jovens atores se arriscaria a tão dura tarefa: a de enfrentar condições adversas para nos dar uma lição de que as coisas ainda são possíveis. Felizmente eles existem. E nos transmitem uma lição inesquecível, numa fala que não está no texto da peça: “Estamos e estaremos aqui. Sempre. Mesmo com o risco de comprometermos o nosso talento, ao trabalharmos nas condições mais adversas, porque, sabemos, o nosso maior talento (nestas horas difíceis por que passa a cultura nacional) é a nossa ousadia. Ai de nós se não fôssemos ousados!...

Sinto-me jovem, outra vez, em que me pesem os anos perdidos em lutas e clamores gritados a todos os pulmões contra a insensibilidade dos governantes com relação à cultura e à arte.

Mais calmo chego a pensar: “Quem sabe essa juventude é diferente da minha e conseguirá sensibilizar os novos dirigentes da Nação?”

Mas concluo(entristecido): “Se os governantes não ouvirem o clamor e o esforço daqules jovens permaneceremos nas trevas...”